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quinta-feira, 23 de junho de 2011

O Balido.

Quando a porta do quarto se abriu e a claridade que vinha da luz do corredor iluminou parcialmente o ambiente, ela vislumbrou a fisionomia do homem que vinha em sua direção. Ele tinha um olhar perdido, como se fitasse alguma coisa muito além dela, algo numa outra dimensão, num outro tempo. Ela se encolheu na cama numa tentativa de se proteger daquilo, de fugir daquela situação. O homem se aproximava com seu olhar sem vida, murmurando palavras que ela não estava conseguindo entender. Ele alcançou a cama. Ela tremeu e olhou para o celular ao seu lado. O homem chamava por um nome de mulher que não era o seu. Ela pegou o celular. Seus olhos infantis fitaram, atemorizados, aquele personagem que começava a puxar o lençol que a cobria. Então ela teclou um número.

- Não se preocupe, querida! Tudo ficará bem. Você foi muito corajosa e eficiente ao telefonar pra mim Assim eu pude entrar em contato com a equipe do hospital, e eles chegaram a tempo de evitar algo grave. Pode ficar tranqüila. Tudo ficará bem.

- Será mesmo, tio? – a menina não tirava os olhos do homem que estava envolto numa espécie de camisa-de-força, sendo levado por dois sujeitos de jalecos brancos em direção a uma ambulância.
- Eu lhe garanto, Fernanda. Tudo se resolverá de modo satisfatório.
  Um homem que parecia o chefe da equipe aproximou-se da menina e do tio dela.
- Nós estamos indo. Assim que tudo estiver sob controle entraremos em contato, Sr. Nelson.
- Tudo bem! Nós estaremos ansiosos – respondeu o Sr. Nelson.
O homem se afastou. A menina não deixava de fitar o veículo branco. Então ela perguntou:
- Por que ele ficou assim, tio?
- Porque ele nunca conseguiu superar a morte de sua mãe. E então ele passou a ver em você a própria esposa, ou seja, você passou a ser a personificação de sua própria mãe na mente perturbada dele.
- Eu não quero que nada de mal aconteça ao meu pai, tio. Eu não vou conseguir agüentar. Já basta a falta de minha mãe.
- Vai dar tudo certo. Brevemente ele estará novamente entre nós completamente lúcido. Essa equipe é muito boa, extremamente profissional. Ele será muito bem assistido.
 - O senhor acha que ele ia me machucar lá no quarto? – Seus olhos adquiriram um tom de tristeza profunda.
- Eu creio que não, mas de qualquer modo nós chegamos a tempo.
 Foram atraídos pelo barulho do motor da ambulância que logo a seguir deu a partida.
A menina de olhos azuis, cabelos loiros e que aparentava ter uns doze anos, conseguiu ler o letreiro na parte lateral do veículo:
CENTRO DE RECUPERAÇÃO NEUROLÓGICA.
  Uma lágrima brotou no canto do seu olho esquerdo.

 Juca Cavalcante ] 

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Poema Definitivo

Eu sei que já passou , ao menos ,aqui, você ainda me olha.
É esse medo de te encarar, te querer imaginando por que tudo se perdeu.

Tudo isso não me deixa dormir, mas sempre te quis bem e isso não bastou.
Quando toca tua música não é apenas saudade, é um “querer bem” que não morre,

É o teu sorriso, tua voz.... e , talvez, a certeza de ter valido a pena,
Apesar da lágrima que cai, do sentimento que, aos poucos, vai sumindo.

E sobra , acaba por vencer, a felicidade de ter vivido, de ter sentido.

Essa certeza me entristece pois é no sofrimento que sei que vivo... é nele que me encontro.

Te encontrar amanha vai ser mais fácil, vou procurar aquilo tudo aqui dentro.

Sentirei raiva de não te reconhecer em mim, de buscar inutilmente a angústia
De ter , novamente, aquele terrível pensamento:

“ foi melhor assim”.

[ Alberto Simoes ]

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Neste trem

Todo aquele povo sofrido,
forte e bravo
que resistiu e fala Agostinho
 
Hoje estão aqui!
neste trem das 11.
 
Vendendo biscoito e tudo mais.
Sofrendo e resistindo.
O tambor que era tocado lá
que aqui escutamos bem
tambor tocado com sangue e suor
 
Como foi lá em Angola
Como está sendo aqui
 
Hoje estão aqui!
neste trem das 11.
 
Com as mesmas feições
e a cor negra da pele 
Quanto tempo de escravidão.
 
Para ditadores diferentes
racistas diferentes.
 
Hoje estão aqui!
neste trem das 11.
 
Pela janela olhamos
os barracos da áfrica carioca
e a sobrevida segue...
 
Bate tambor!
bate cartão!
 
Hoje estão aqui!
neste trem das 11.



[ Vladimir Ribeiro ]

terça-feira, 7 de junho de 2011

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Matéria invisível

Sob o manto suave da aurora despertamos e nos elevamos
Flutuamos sob a miragem concreta desse mundo pagão
Ávidos da coragem covarde de acordar
Sonolentos precoces do aviso dos cavaleiros do Apocalipse
Sujeitos a introspecção mais absurda da obviedade
Moléculas minúsculas da imensidão negra do universo
Clamando, implorando cada essência milagrosa de vida
Repletos de indecências inocentes
Sobressaltados pela perplexidade da matéria invisível que nos abraça.


Gabriel Mendes

sexta-feira, 3 de junho de 2011

se remoência existe não sei, só sei que está aqui

E essa remoência que fica e me espanta, toda vez que eu te vejo
E você se aproveita
Mostra o passado juntos e esconde os problemas passados
E isso é superar?
Ainda não entendi nem quero conceber
Porque me canso rápido
Mentira, eu lerdei muito
Porque eu não tirei você daqui



[ Katzuki Parajara ]

domingo, 29 de maio de 2011

PIPA – Picadeiro da Palavra.


A quebra dos paradigmas, das hierarquias, da dicotomia público/espectador. A carnavalização que Roberto DaMatta sugere, ou ainda a teoria de Bakhtin na prática, “o povo representando a si mesmo”, como no carnaval da idade média. Mas é tudo muito (pós) moderno, microfones, pedaleiras, macintosh’s, livros espalhados pelos colchões, que por sua vez ficam espalhados pelo palco do circo. A inversão do conceito, a plateia divide o palco com o artista, que por vezes vira plateia. Ou melhor, a plateia não existe, todos são artistas, todos no mesmo plano. Poesia, música, dança, interpretação, performance, intervenção, etc. o direito de ir e (se) ver e fazer. A produção instantânea, sem ensaio, roteiro ou direção. A realização das possibilidades, o estudo das linguagens artísticas, a livre expressão da vontade, a poesia que, literalmente, sai do chão. Só vendo para entender. O diálogo entre uma expressão e outra e todas. A tecnologia, o pós-estruturalismo (na ausência de identidade, todo mundo é – pode ser- tudo) a complexidade que só existe pela simplicidade com que a arte é encarada.


"todo mundo é,
todo mundo pode ser".

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Poema Mentiroso

neste verso eu testo meus conceitos
testo a verdade que julgo existir

mostro o sentimento que insisto em esconder

fecho os olhos e finjo ouvir

o que o tempo me instiga a sentir
um arrepio de quando minha mentira se apresenta
em versos que nunca viram sentido.
Sentimento? Bah!

[ Sem título ]

Maria juntou meus trapos
Jogou aos ventos,
Hora de partir,
“Não voltes mais”.
Pobre Maria…
Embora o corpo presente
Todo o meu resto,
Sem despedir
Lhe abandonara tempos atrás.


          [ Jorge Wagner ]

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Fase Nova

Quero saber quando estarei preparado...
Preparado para sentir a brisa suave de uma manhã ensolarada,
De poder sorrir sem preocupações.
Olhar uma pétala de flor molhada pelo orvalho da noite fria.
Não pensar em conta bancária,
Dívidas,
SERASA; SPC.
Viajar sem medo pelo submundo do meu inconsciente,
Abraçando cada ser que me apareça.
Seguir meu caminho deixando de lado a cotação do dólar ou do euro.
Viver sem regrinhas de certo e errado.
Em quanto está a taxa de juros????????
Loucamente transviar meu caminho,
Minha vida,
Meu destino.
Por que penso????????
Qual é o fundamento do pensamento????????
Quero cultivar uma estrela dentro do peito,
Regada a beijos.
Viver só.
Foice e martelo guiando um redemoinho de sensações.
Loucura total... Baby!!!!!!!!!
Fazer de cada dia um carnaval.
Cantarolar hinos de ongs fundamentalistas.
Salvar as baleias do pacífico,
Matar o tamanduá bandeira no pantanal,
Contrariar os índios patachos.
Viver...
Viver sem rumo numa noite escura de festa.
Por que você faz isso????????
Qual é a cara de DEUS, heim??????????????
Amor??????????
Por que???????????
Sensibilidade é não perguntar,
Não seguir padrões.
Será que meu fim está perto?
Foda-se...
Está tudo bem.
Borboletas colorirão o céu e o mal se esfumaçará.

(Felipe Coelho)

terça-feira, 24 de maio de 2011

O não-poeta

Se tudo aquilo que me inspira
provem da melancolia
Se tudo aquilo que me despertar
carrega consigo tristeza
Não quero ser poeta
Faço escolha pela felicidade
Não quero morrer de amor
Quero simplesmente amar
Não sofrer incontável dor
Renego a condição de poeta
porque o amor não finda
em versos!
O que eu quero não é subjetivo
é objetivo, é vivo
não vivo em função da utopia
mas de transformá-la em vida
palpável a todos os seres
que se permitem acreditar
Que basta querer
que tudo pode mudar!

domingo, 22 de maio de 2011

que comecem os trabalhos.

A partir de agora o blog começa pra valer.

Nosso maior objetivo é utilizar o Blog como um registro de textos (poesia, prosa, conto, etc) de novos autores ou de autores renomados. Não faremos distinções.

Então, se você escreve, ou conhece alguém que escreva, mande o texto, com uma biografia resumida, de no máximo 4 linhas, para o e-mail poesia.doc@gmail.com que publicaremos aqui no blog.