segunda-feira, 13 de junho de 2011

Ave de Rapina

Era uma vez um pássaro negro
Que voava no escuro
Ele voava em círculos
Ele atacava com suas garras
Os que o feriram pelas costas...
Em nuvens escuras desaparecia
Se protegia na noite calada
Vivia nas montanhas de sua própria solidão
E o peso que carregava durante sua tragetória
era a fuga perante o desconhecido
Levava cicatrizes em seu peito
A força estava em suas asas
Que muitas vezes eram transformadas
durante o percurso do tempo
Seus olhos desconfiados e sem medo
procuravam abrigo
Emitia um som 
que vinha de sua alma de rapina
A ventania o impulcionava como alavanca ao alvo
A tempestade mágica apontava-lhe a direção
A brisa suave acalantava sua dor...
O pássaro negro é o mais valente de todos os pássaros...

Ana Lins

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Neste trem

Todo aquele povo sofrido,
forte e bravo
que resistiu e fala Agostinho
 
Hoje estão aqui!
neste trem das 11.
 
Vendendo biscoito e tudo mais.
Sofrendo e resistindo.
O tambor que era tocado lá
que aqui escutamos bem
tambor tocado com sangue e suor
 
Como foi lá em Angola
Como está sendo aqui
 
Hoje estão aqui!
neste trem das 11.
 
Com as mesmas feições
e a cor negra da pele 
Quanto tempo de escravidão.
 
Para ditadores diferentes
racistas diferentes.
 
Hoje estão aqui!
neste trem das 11.
 
Pela janela olhamos
os barracos da áfrica carioca
e a sobrevida segue...
 
Bate tambor!
bate cartão!
 
Hoje estão aqui!
neste trem das 11.



[ Vladimir Ribeiro ]

terça-feira, 7 de junho de 2011

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Matéria invisível

Sob o manto suave da aurora despertamos e nos elevamos
Flutuamos sob a miragem concreta desse mundo pagão
Ávidos da coragem covarde de acordar
Sonolentos precoces do aviso dos cavaleiros do Apocalipse
Sujeitos a introspecção mais absurda da obviedade
Moléculas minúsculas da imensidão negra do universo
Clamando, implorando cada essência milagrosa de vida
Repletos de indecências inocentes
Sobressaltados pela perplexidade da matéria invisível que nos abraça.


Gabriel Mendes

sexta-feira, 3 de junho de 2011

se remoência existe não sei, só sei que está aqui

E essa remoência que fica e me espanta, toda vez que eu te vejo
E você se aproveita
Mostra o passado juntos e esconde os problemas passados
E isso é superar?
Ainda não entendi nem quero conceber
Porque me canso rápido
Mentira, eu lerdei muito
Porque eu não tirei você daqui



[ Katzuki Parajara ]

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Tampa do pote

Perdi a tampa do pote
Vazio
Pote que nunca serviu
Cheio
Na tampa que nunca cabêu…

Até serviu…
Também cabêu…

Mas perdi a tampa.

Tampei o pote co’a tampa d’outro
Pote
Que ficou sem tampa…

E assim me fui,
Destampando
Pra poder tampar…

Vida é tampa perdida
É pote sem tampa
É tampa que dá
No pote que cabe.

É a arte de achar a tampa errada
Pra poder tampar o pote certo.


(Bean Flügell)